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vão matar esse corpo e um copo ficará sobre a mesa, intacto.
não haverá uma lagrima que não a da atendente desconhecida que estará em choque e chorará não por mim, que estarei com um olhar bem mais tranquilo a essa altura, mesmo perdendo cor e o calor de meu corpo ainda vestido com essa camisa que eu não tiro...  mas por ver-se viva dentro aquele caos. tambem restará sobre a mesa, intacto, porem ainda a mercê da sorte e o tempo, esse anel que eu fiz pra você, de um ramo de maracujá. sobre a mesa, ficará ainda, e no mesmo lugar, o meu corpo por hora esperando a pericia vir fotografar, pra registrar os fatos... suspeitas. o caso em aberto. por desatenção o copo que me servira água será oferecido à moça que recusará exclamando por seu deus. refletida à vidraça a expressao do terror tomará sua forma e da rua os olhos do mundo me procurarão enxergar. as mãos desesperadas da atendente tomará de um cigarro tremulo diante de um fosforo policial que lhe perguntará o nome. ela não irá ao enterro.  mas no interrogatorio ela dirá que não havia nada estranho ao chegar, que pedi desta agua apenas e apesar de aparentar monocordio, nao me tomou nota o pedido, pois lhe disse esperar... dirá que odeia o emprego e que um dia poderá se mandar e se dedicar então a amores tantos como o seu por fotografias e arranjos florais. e ouvirá entre um pedido de calma e tranquilidade, o som das estrelas no ceu da cidade pra só daí então, sim, parar de chorar. e por um instante até esboçará um sorriso, e se sentirá aliviada, calma e feliz; contente por ainda estar ali, viva. e, como o copo sobre a mesa a meu lado, aparentemente intacta.

Um comentário:

Vivência Lombradis disse...

Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do Sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!

Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá.

Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá.

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová!
Pela lança ensangüentado
Da flor do maracujá!

Por tudo que o céu revela!
Por tudo que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está!!..
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá!

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em - a -
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!

...

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