FECHEI OS OLHOS ESTA TARDE, PARA SENTIR O SILENCIO DA SALA. ESTAVA ANGUSTIADO COM ALGUNS PROBLEMAS CASEIROS E RESOLVI CHEGAR ATE A JANELA, PARA ACOMPANHAR OS ULTIMOS RAIOS SOLARES.

COM DIFICULDADE CHEGUEI LÁ E, COMO DE COSTUME, HAVIAM ALGUMAS FOLHAS SOLTAS NO CHAO. RESOLVI ENTAO CONTEMPLAR UMA PEQUENA PLANTA QUE ESTAVA AO MEU LADO. ELA ESTAVA FLORIDA, COM AS FOLHAS VERDES E SEU CAULE ERA FORTE. POR OUTRO LADO, HAVIA UMA FOLHA, DENTRE TODAS AS OUTRAS, QUE MOSTRAVA OS SINAIS DO TEMPO, ELA ESTAVA MARROM E BEM MURCHA.

PRESENCIEI O MOMENTO EM QUE ELA ABANDONAVA A MAE, CAINDO NO CHAO, INDEFESA, MISTURANDO-SE COM OS DETRITOS, ENCONTRANDO A FRIA REALIDADE. POR UM BREVE INSTANTE PENSEI NO TRISTE FIM DA FOLHA E VOLTEI A OLHAR PARA O DESFALECER DO SOL. UM FORTE VENTO ALCANÇOU A JANELA, ARRASTANDO TODOS OS CORPOS QUE LA ESTAVAM E NA BORDA. MINHA PEQUENA COMPANHEIRA DE REFLEXAO, IMPULSIONADA PELOS BRAÇOS DO VENTO, COMEÇOU A FLUIR PELO AR. ANESTESIADO, APRECIEI A FOLHA BAILAR E GANHAR O INFINITO.

MINHA VIDA FOI MARCADA POR DIVERSAS FERIDAS. NÃO SEI COMO AINDA CONSIGO ASSIMILAR TANTOS MOMENTOS DE SOFRIMENTO. AS RECORDAÇOES SE TORNARAM UM PESO NA MINHA CONSCIENCIA, JÁ QUE OS MOMENTOS FELIZES NÃO FORAM RENOVADOS. AS PERDAS PASSARAM A ME ACOMPANHAR DURANTE O CAMINHO. DESPERDICEI MUITAS CHANCES E ISSO É ASSUSTADOR. ESTOU ABRAÇADO AO QUE ME RESTOU.

MEU CORAÇÃO ESTA DOENTE E TENHO DIFICULDADE EM FAZER ELE ENTENDER, EVITAR MINHA DESTRUIÇÃO. OS PROBLEMAS, QUE ENVOLVEM MINHA FAMILIA, CONTINUAM PRESENTES, MAS APRENDI A ADMINISTRÁ-LOS E A DISCERNIR OS SENTIMENTOS. TORNEI-ME UM INSENSIVEL: INICIAR RELACIONAMENTOS ME ASSUSTA BASTANTE E NÃO SOU CAPAZ DE ENTREGAR MINHA CONFIANÇA, COMO OUTRORA FAZIA. SOU O REFLEXO DE UMA PESSOA PERDIDA. A LUZ ME ABANDONOU, LEVANDO CONSIGO MEU AFETO E MEUS SONHOS.

COMEÇAR DE NOVO REQUER ESPERANÇA. QUERO SER ACARICIADO PELAS DOCES AVENTURAS DO AMOR E ESQUECER AS AFLIÇOES QUE ATORMENTAM O MEU PEITO. A VIDA É MUITO COMPLICADA, NÃO DEVERIA SER ASSIM. LEMBRO DAS MINHAS BATALHAS, MAS ESTOU EXAUSTO. O VENTO ACALENTA A MINHA ALMA, ARRASTANDO-A, COMO A FOLHA QUE FALEI HÁ POUCO.
PROSSIGO O MEU CAMINHO DISPERSO ANDANDO DISPERSO. EU NÃO ME DESPEÇO DE NINGUEM, SIGO ADIANTE, E SÓ. VEJO, EM MIM, A PROCURA DESENFREADA DE ALGO NAS RUAS QUE ME LEMBRE E ME FAÇA ESQUECER QUE ALGO ME FALTE E QUE SEMPRE ME HÁ DE SEGUIR ASSIM... FALTANDO

Um comentário:

Bia disse...

Feridas,
momentos felizes que não
se renovam, e você e essa sua
capacidade de colocar em palavras
que quase choram e gritam e doem,
toda a dor e a felicidade das gentes.

Gus,
seria bom ter você por perto.
Você entende de Alma, queria poder chorar minhas dores no seu ombro.

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