Refractas dessa semana.

hoje, tudo é você ontem foi nada, já que amanhã ainda será.

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acordei sem decoração com um outro apanhando mais que batendo quando bate essa saudade de verdade qualquer que aqui me escorre... olhei você e as coisas que te ensinou a vida, esbocei um sorriso quando a musica me disse adeus... vi a cidade por trás da janela, tantos olhos se perdendo por aí, se lançando para onde? reparou o cheiro que tem a consolação? ate gosto de como sempre é noite no metrô aquela parte, meus pés paulistanos que jazem anos que procuram os teus pra acompanhar - mas você parece se esquecer... finge que não. descobri subindo a escada que o sonho é livre e é bem capaz de ter a razão: tudo está a venda.

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uma mulher falava baixo ao ouvido de um bom rapaz de aparência estranha - falava das roupas das meninas. ele só via os peitos. pelo jeito, achei que via...porque se via como ele via, ele era eu.

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foi que ficou ao meio naquele dia que algo mudou. mas tudo muda o tempo todo! - gritou comigo. mudei a cara, saí da calçada e remei com meu carrinho sem nem um gesto de carinho que não fosse um simples adeus.

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ficamos todos quietos. eu ali resignava, todos assim tão sérios. olhando o corpo da menina que agora estava fria. eu ouvia o disco que comprei (http://www.youtube.com/watch?v=i1UVckumo2A&feature=relmfu) por um segundo ate chorei, mas aí... troquei a faixa.

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gostei da cor da sua camisa. da estampa que tapa tua pele bem onde podia não. gostei de olhar seus traços, suas curvas de sombra ao chão... sobra a ilusão. Sabe, mocinha, desculpe se eu for entrão, mas acho que essa tua cor é um tom que deus menino pintou com a mão.

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meu peito amarrado
algo é selado aqui, segurem-no!
tenho medo que nesse trafego ele a caminho dos braços teus - labios - acabe o coitado, pego por um carro errado e fique lá... estatelado no chão de asfalto, enquanto todos olhos curiosos, outros de lado, e acabem, sim, por que não? dizendo: pobre coitado, morreu-se em vão.

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passei no velho chincha - é assim que escreve, olha lá a placa. pensei, velho me sirva ali, naquela mesa que hoje guaco me afogo... mas lembrei que meu medico - aquele sádico. - proibiu, eu acho. sentei, banco na areia e olhei o mar e a tarde inteira, o movimento dos barcos.

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alguém me gritou: saí dessa! assustei a bessa, com o salto, quase voei. acabou que eu queria e teria por lá ficado... tava sentado, calado e quieto... vendo o voo dos passarinhos. tão perfeitinhos, os pequeninos... agora aqui, com tudo acelerado, sem jeito pra nada e essa cara safada achando de um tudo, nisso engraçado.

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a enfermeira sorri quando me fura... é que ela diz que assim me cura. então sorrio de volta enquanto dura nosso contato, mas bem no ato, não faço nada, não digo nada, que é pra manter a compostura.




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