OUTRO DIA ME CHEGOU UM OUTRO E ME QUIS SABER DO DIA, COMO É QUE ERA...

DEI UMA PAUSA NO TEMPO PRA ME ENCONTRAR DIREITO OLHEI PRA ELE E A FUMAÇA O CARRO IMPORTADO E RESPIREI POUCO ANTES FALEI: BEM, COMUMENTE É COMUM. MINTO! NEM TODO DIA É IGUAL, AS VEZES CHOVE. MAS A ROTA QUE ME ATINA, ESSA QUASE SEMPRE SE REPETE. E É BESTIAL.

EU TODA NOITE EU SONHO NEM SEMPRE LEMBRO MAS NAO ESQUEÇO QUE HÁ SEMPRE UM TRECHO ONDE UM SOM ME INVADE E ACORDA, SEJA O NOTICIÁRIO OU SÓ A TV, OU ENTÃO O SOLDADO DO ANDAR DE CIMA QUE CHEGA SEMPRE DE COTURNO E MARCHA ESCADA PRA CASA TODA NOITE A MESMA MARCHA. SUAS CHAVES SÃO PESADAS, IMAGINO. ENTÃO ACORDO, - RELOGIO MARCA TRÊS -, TENHO OUTRAS TRES PRA ME ESTAR LÁ. CUMPRINDO O MEU DEVER, PARECE IRONICO ISSO. FICO DEITADO UM POUCO, CINCO MINUTINHOS, - É QUE ME DEMORO UM POUCO PRA CHEGAR EM MIM. NÃO SEI POR QUE, MAS ACHO QUE É SEMPRE QUE ME É ASSIM. APERTO OS DEDOS, OS DOS PÉS, ESTALO; FIXO UM PONTO NO TETO E FISSURA, E ENTRO NA FRESTA, NUM ESPITAL DE IDEIAS LOUCAS. POUCAS, AS VEZES, FICO LÁ, PENSANDO NADA. QUASE SEMPRE É O MAIOR BARATO O BARATO DE PENSAR, DE VEZ EM QUANDO NÓIA. PENSO QUE SOU DE SORTE DE TER A MORTE AINDA A ESPREITA E O RESTO PERTO, CHAMO DE VIDA. A SENSAÇÃO DA ESPADA SUSPENSA AO PESCOÇO DEIXA ATÉ MOÇO E DÁ UM GÁS PRA VIVER MAIS... MELHOR OU NÃO, DEPENDE DO FIGURA, - EU MESMO, GOSTO DA MINHA VIDA. DIRIA QUE É, AO MENOS, INDECIFRAVEL, IMPREVISIVEL E IMPARCIAL. DEPOIS DE MORTO, TANTO IMPORTA, A PORCA QUE TORÇA O RABO; PRA MIM, TUDO É VITAL.

COM A MÃO DIREITA, EU CHECO O CHÃO, "TÁ TUDO EM ORDEM?"; DEPOIS, ME SENTO, COÇO DOS OLHOS, CABELOS, ALGUM BOCEJO UM PASSO E MEIO E EU TO DE PÉ, EU ME ESPREGUIÇO E QUANDO NÃO TÁ LIGADO, EU LIGO SOM. PASSO POR DUAS PORTAS E UM CORREDOR, ENTÃO VEM OUTRA. ENTRO NUM COMODO BRANCO DE PISO GELO E NÃO É POR MEDO, MAS PELO INCOMODO, NÃO FAÇO SOM QUANDO NO VASO, PRENDO O RUIDO NUM GRITO INTERNO NUM GRITO MUDO NUM GRITO: NÃO! ENSAIO UM BANHO, PESO MEU PESO, ME ACHO LINDO, AS VEZES, FEIO. AS VEZES PASSO QUE NEM ME OLHO NAQUELE ESPELHO. MEU EMPENHO É OUTRO. RESIGNADO, ENTRO DEBAIXO DA AGUA QUE ME DESPENCA, E PÉLA NO MEU VERÃO, NO INVERNO NÃO. NO INVERNO É MORNA, POR QUE NÃO ESQUENTA? SAIO SEMPRE AMALDIÇOANDO A CIDADE E O TEMPO, OLHO PRO VASO E TENHO CERTEZA: É UMA MERDA AQUILO ALI. ENQUANTO A AGUA SE DESPERDIÇA, EU COLOCO NA ESCOVA UMA QUANTIDADE DE PASTA QUE JULGO NECESSARIO, MOLHO A PASTA, E EM SEGUIDA, DESPERDIÇANDO AGUA, ESCOVO OS DENTES, MOVIMENTOS CIRCULARES, PRIMEIRO OS MOLARES, INFERIORES DIREITOS E OS SUPERIORES, O MESMO COM O OUTRO LADO, DEPOIS A LINGUA, E ENTAO O SORRISO. MEUS DENTES ANDAM AMARELOS; DEVE SER O CAFÉ E A INDULGENCIA COM QUE SORRIO. EU NÃO GOSTO MUITO DE PESSOAS.

OLHO O RELOGIO, QUASE SEMPRE ESTOU ATRASADO. EU ME PERGUNTO: POR QUE A PRESSA? POR QUE É QUE A BANDA TOCA? PRA ONDE É QUE A JOÇA CONTA E CONTA A CONTA PRA QUAL RAZÃO?

TOMO DA ROUPA E VISTO - A RUA DESERTA NUM É BOM LUGAR PRA CAMINHAR, ESTRANHO ISSO, MAS É A CIDADE. NA MINHA IDADE, - EU TENHO VINTE E POUCO -, DESÇO AS ESCADAS TRAGANDO O TEMPO, VENTANDO A VIDA A CADA PASSO. ISSO É COMUM: É SEMPRE MENOS OU MAIS E TANTO IMPORTA AGORA.

Um comentário:

Cheiro de flor disse...

"ESÇO AS ESCADAS TRAGANDO O TEMPO, VENTANDO A VIDA A CADA PASSO. ISSO É COMUM: É SEMPRE MENOS OU MAIS E TANTO IMPORTA AGORA".

você escreve muitíssimo bem. agradável visita por aqui!

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