QUADRUS OPERANDI


Atras de tudo ha um quadro, minha mãe, um redor a me espreitar silencioso, dentre imagens disformes, lembranças disformes. Há ainda um som solto, suspenso no ar de minha mente ainda adormecida. Há algum grito, de dor e vergonha, mas deixo ocultar. Uma falta. Saudade é lembrança boa. E as más, o que são?
Antes de dormir a noite, eu penso em tudo. Nos bichos famintos, na A frica, na Angola, Naqueles da Etiopia. Eu penso muito em escadas rolantes, subindo e descendo, nas ondas de radio e TV, em carne crua. A luz da lua, no seu lado escuro. E as ruas todas desertas, flores que se multiplicam com pressa, lentos girassois, seus sonhos inertes. Num outro dia. Nalgum diante.


(chove no azul dos teus olhos)
CHOVE NO PARABRISA DO VOLKSWAGEN BLUE

Trânsito infernal
Transito a cidade transando ideias loucas, pessoas bacanas, super-chapadas pr'algum lugar onde as pessoas sejam loucas, como os motociclistas timpanicos que correm e trançam ruas vielas, grandes corredores
CARO CARA ESSE CARRO CORRE PRA CARA-
lho! Corre voando (entre multicoloridas nuvens que despencam meu céu interior num espiral de inteiro)

Alguem me trouxe vinho
Alguem disse que vinha
e teve que contar
Garrafa veio ao fundo
sem chance de eu falar
depois que a noite engole o mundo
de gole em gole eu fico mudo

Convite pra sonhar - a baixo a porta!
Mas eu fiquei fumando
pra nao ter de interpretar trepança - acho que trapaceei.
Mais um dia e baixaria, basta a gente se casar ate que canse
Como a estoria do reizinho
tão vulgar
De sonho e do silêncio
Eu tive que a cortar
Foi mal eu me manchar
Depois que o corpo estava morno
foi só decaptar
Policia entao chegando
sem provas pra levar
Eu fiquei na rua. Eu parei na sua.
Eu botei-a no correio e no coração
Foi pra qualquer lugar
Mas a pista no banheiro
Vai sujar
E eu penso
no chuveiro
"Por que vive engarrafada a Beira Mar?"


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